21 de janeiro de 2015 em Geral

Daí que vc nasce homem. E vc ouve do mundo durante um tempo que homem não chora. Além de tantas outras coisas que o mundo te diz, te (des)ensina, e te rotula. Seja homem! E o que é isso? E ai, desde criança, este pequeno homem vira represa. Imagina. E essa represa, enquanto se enche de choro não vazado, vai aceitando, e vendo o mundo com olhos da falsa superioridade masculina. E vc até não concorda no começo. Mas aceita. E a educação está aí, sendo maltratada, e te fazendo cada vez menos refletir, e cada vez mais copiar. Então copiei. Copiei na escola, com os amigos, família, televisão. Copiei falas, gestos, falsas verdades. Assim, simples. Trazendo minha parcela de culpa (pois bastava um “e se?” pra poder ver diferente). E vc se apaixona, e sem perceber, vê que está tratando a moça que vc se apaixonou do jeito que vc menos esperaria que fosse dolorido a ela. (“E se?”). Então a arte chega, te mostra vários “e se fosse diferente”? Mas outras moças passam, e vc, mesmo que questione a posse, ainda tropeça. E vc continua tropeçando ainda nos restos dos antepassados, fantasmas que regem muito mais desse mundo do que imaginamos. Então é difícil aceitar o rótulo. Pois Homem não chora. E esconde os sentimentos. E tem que saber dirigir, e precisa ser ciumento, e olhar as moças com olhos de ter. E deixa de ver que o amor é algo bonito é simples. O amor anda nas asas de um pássaro que voa livre. Pois é assim. É estar, não pertencer. E estar devia ser coletivo. De um amor coletivo. Mas o mundo te diz de novo, homem não chora. Não expressa. Copia e cola. Control C + Control V.
Daí que eu vejo esse vídeo.
E a represa enfurecida, que a gente vai guardando na caixa dos homens que não choram, resolve se manifestar. Violentamente. Como quem rasga uma roupa. Como quem aceita a parte humana. Aquela que se revolta com o que acontece com o mundo (nas mãos de tantos “homens”). E vê a sua incapacidade. Machista. Sou o primeiro, aquele que eu devia combater primeiro. E a represa rebenta. E eu chorei. Sim, chorei copiosamente vendo este vídeo, de perdas e de parcerias. E soluço sim um mundo diferente.
Um mundo onde eu possa chorar como um homem.
Cristiano Gouveia

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