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Diógenes e o imperador

3 de fevereiro de 2017 em Geral

Diógenes, do seu barril,
no sol o corpo aquecia.
Alexandre mexeu no seu brio
na pergunta que lhe fazia.

Por que tão triste pobreza
faz parte do teu viver?
Sou grande. Sou Vossa Alteza.
Que posso eu te conceder?

Faça-me um único pedido.
Faça um pedido apenas.
Na certa serás atendido.
Sou grande. Venho de Atenas

Só tens essa luz do sol.
Faz frio, te falta agasalho,
comida, leite, um lençol,
uma graça, qualquer reparo.

Diógenes então respondeu.
Oh Magno, então vos falo.
Nem azeite, comida ou reparo,
nem uma peça de bom lençol.

Só peço que afaste o cavalo
que está a fazer uma sombra
na luz desse belo sol.

Bico de pena

2 de fevereiro de 2017 em Geral

Bico de pena, o que me pedes,

bico de pena?

Que eu te afague com minha mão poética?

Nem a métrica o teu poema mede

nem a rima dá medida certa.

Bico de pena, com efeito

estás a me pedir demais.

Contigo estou a perder-te o jeito

que o jeito tinha um tempinho atrás.

Queres tu vasculhar-me o peito

e arrancar do moribundo leito

o que já triste e de silêncio jaz.

Ah, bico de pena,

deixa-me ir e vai-te em paz.

Nem mais crio nem faço arranjo

nesta terra tão pequena.

Minh’alma que agora acena,

das penas do próprio anjo

escreverá teus poemas.

 

Scripta manent

11 de janeiro de 2017 em soneto

Se o que aqui deixei escrito
foi o que eu quis escrever
na certa ouvirão meu grito.
em cada leitor que me lê.

Se o que aqui ficou expresso,
foi o que quis meu intento,
em todo e qualquer momento
é meu retrato o meu verso.

Se o que aqui registrei,
servir de qualquer lição,
as coisas que tanto amei

outros também amarão,
e as coisas que agora eu sei
um dia também saberão.

Ab imo pectore

11 de janeiro de 2017 em Geral

Não sei se essa escrita é boa,
se daqui se tira um proveito,
se eu tirei leite de pedra
ou palavras dentro do peito.

José Freire

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