Bico de pena

2 de fevereiro de 2017 em Geral

Bico de pena, o que me pedes,

bico de pena?

Que eu te afague com minha mão poética?

Nem a métrica o teu poema mede

nem a rima dá medida certa.

Bico de pena, com efeito

estás a me pedir demais.

Contigo estou a perder-te o jeito

que o jeito tinha um tempinho atrás.

Queres tu vasculhar-me o peito

e arrancar do moribundo leito

o que já triste e de silêncio jaz.

Ah, bico de pena,

deixa-me ir e vai-te em paz.

Nem mais crio nem faço arranjo

nesta terra tão pequena.

Minh’alma que agora acena,

das penas do próprio anjo

escreverá teus poemas.

 

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Este trabalho foi criado por : José Freire Está licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Não comercial 4.0 International

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